| |
"Frank Zappa brasileiro em ácido"
Não existem regras ou limites para a música que faço. Rótulos não me atraem e por isso é difícil definir meu estilo. Essa abordagem em que nada é proibido me faz ser frequentemente comparado a Frank Zappa e Tom Zé, que são duas grandes influências para mim, ao lado de outros como Beatles, Brian Wilson, Mutantes, Raul Seixas, Jorge Ben e Ramones.
Crio minhas músicas sozinho, gravando vocais, programando instrumentos, arranhando guitarras e baixo, mexendo naquilo que me cair em mãos e misturando tudo num caldeirão de efeitos e influências.
"Drogas não podem fazer isso - você obviamente nasceu assim!"
A vontade de criar sempre esteve comigo, mas o primeiro passo real foi uma banda chamada Selvagens que criei com meu irmão Leandro em 1997. A maior influência no som era o punk dos Ramones, mas antenas mais ligadas já podiam ver os primeiros experimentos em canções como "Nowhere to go" e "Gato morto". Após um álbum (Punkixe), um EP (Lucas 12:49, que recebeu uma crítica positiva na revista Rock Press) e uma penca de shows insanos, a banda se desfez em 2000.
Acabamos eu e meu irmão nos concentrando em criar. Com o tempo e a liberdade de gravar em casa, o experimentalismo entrou em uma curva ascendente. O resultado só ficou pronto em 2006: o álbum Asilo Harkam para músicos insanos. O punk continuava lá, em músicas como "Ode à loucura" e no espírito "faça você mesmo", mas as influências e as loucuras aumentaram bastante, como mostram as vinhetas que permeiam o trabalho, a ideia geral do disco e canções como "Terezinha canta um blues", "Dozedê Didi", "A corja" e no destaque "Anunziô Zumbi", que recebeu um "Que sensacional!" de Hermano Vianna no site Overmundo e elogios diversos no agora extinto GarageBand.
Porém, os cinco anos que se passaram mostram a complicação que foi a gravação do álbum. Com a dificuldade cada vez maior de encontrar meu irmão para fazer o trabalho em dupla, passei a criar sozinho. Então surgiram "Entre a máquina e a massa", "Vegetais" e "Blues de pai Joaquim", esta última recebendo boas críticas no Overmundo e me dando força para continuar.
Assim, em setembro de 2007, surge meu primeiro trabalho solo: Venturas e desventuras do engenhoso Cavalleiro do Lago. Depois de lançar vários singles nos tempos que se seguiram, sai Deus e o Diabo no Reino do Lago, álbum que gira em torno da dualidade humana, o bem e o mal, com doses de mitologia e literatura e muito experimentalismo. Já em 2010, outro álbum é lançado: Mais um pouco.
Criar é uma necessidade - assim esperem novidades sempre. |
|